Universo do Yoga

Afinal, quem foi Patânjali?

Afinal, quem foi Patânjali?

A vida do sábio considerado pai do Yoga Clássico (ou Raja Yoga) ainda é cercada de dúvidas para vários pesquisadores da tradição. Seja como for, o autor do Yoga Sutra é figura histórica e referência obrigatória para todos os praticantes de yoga.

Quem foi Patânjali? Em que época ele viveu? Por que é tido como codificador do Yoga Clássico?

Se você fizer uma breve busca na internet sobre a vida deste sábio, em poucos minutos perceberá que quase tudo sobre ele envolve diversos mistérios e informações conflitantes.

Como autor de textos sobre o yoga, seu tipo de escrita (de sutras ou aforismos) dá pistas de que tenha provavelmente vivido entre os séculos IV e II a.C., apogeu desse estilo literário. Mas há escritos que sugerem séculos de distância desse período, até o século VI d.C.!

Dizem que Patânjali significa ?aquele que caiu do ce?u durante a oferenda?. Segundo a lenda que conta sobre seu nascimento, ele seria a encarnação de Ádishesha, a serpente de mil cabeças, e teria encarnado como Patânjali para compartilhar sua sabedoria com a humanidade.

Por isso, é representado como metade homem, metade serpente. Além disso, nas imagens de Patânjali vemos quatro braços e quatro mãos: duas mãos em añjali mudrá (palmas das mãos unidas) e as outras segurando a concha (que, assoprada, produz o som que deu origem ao universo, o Om) e o disco, que fazem parte dos atributos divinos de Vishnu.

Patânjali é o autor do Yoga Sutra, uma obra conhecida como um tratado sobre o Raja Yoga ou Yoga Real.

Nesta obra,Patânjali reúne os oito membros (ashta-anga) ou práticas do yoga:

  • ? Yama, que é a disciplina moral do yoga: não-violência (ahimsa), não-roubar (asteya), verdade (satya), castidade (brahmacarya) e não-cobiçar (aparigraha);
  • ? Niyama, comportamentos que devem ser observados pelo praticante: autodomínio (que envolve a pureza ou shauca), contentamento (samtosha), ascese (tapas), estudo de si mesmo (svadhyaya) e devoção ao Senhor (ishvara-pranidhana);
  • ? Ásanas, que são as posturas do yoga;
  • ? Pranayamas, que são as técnicas de controle da respiração;
  • ? Pratyahara, inibição sensorial;
  • ? Dharana, técnicas de concentração;
  • ? Dhyana, que é a meditação ou concentração profunda e prolongada;
  • ? Samadhi, que é o êxtase, iluminação, fusão da consciência com o objeto de meditação.

Pelo fato de Patânjali ter reunido nesta obra uma grande quantidade de ensinamentos sobre o Yoga, que até hoje são referências para todos que mergulham nesta tradição, ele é reverenciado como compilador ou pai do Yoga Clássico.

Em outras palavras, Patânjali teria sistematizado séculos de ensinamentos do yoga em seus textos, especialmente, no Yoga Sutra. Esta obra, para muitos praticantes e professores de yoga, é considerada um verdadeiro guia prático de realização pessoal.

Fica claro, então, que Patânjali não ?criou? o Yoga. A origem do Yoga é muito anterior a ele. Aliás, essa informação é uma das poucas certezas que temos em relação a este sábio.

Mas, ainda assim, para quem deseja praticar, conhecer e vivenciar os ensinamentos e práticas do yoga, todos os mistérios que envolvem Patânjali acabam sendo de pouca relevância. Sua obra sim é que vale muito para todos nós.

Clique aqui e saiba mais sobre: Os 8 passos do Yoga segundo Patânjali

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